Decisão do Brasil de mudar tratamento de pacientes mentais provoca polêmica

Blog de antoniogeraldo :Dr Antônio Geraldo, Decisão do Brasil de mudar tratamento de pacientes mentais provoca polêmica

Juracyr (C) e os filhos com esquizofrenia: atendimento sem internação

Decisão do Brasil de mudar tratamento de pacientes mentais provoca polêmica

 Gláucia Chaves

Publicação: 08/01/2012 08:00 Atualização:

Fonte: Correio Braziliense

 A figura do doente mental sempre esteve presente na sociedade. Ao longo do tempo, o que mudou foi a maneira de lidar com pessoas acometidas por esse tipo de mal. Se antes os que se situavam na periferia da razão eram isolados do convívio social em instituições ou domicílios especializados, desde 2001 o Brasil escolheu partir para a chamada reforma psiquiátrica — movimento de profissionais da saúde idealizado para substituir os manicômios por práticas terapêuticas que valorizem a socialização e a individualidade de cada doente, por meio de uma rede de ações. Mesmo após mais de uma década de sua formalização, contudo, a estratégia ainda é polêmica, especialmente com relação à redução do número de leitos em hospitais psiquiátricos.

 Segundo o Ministério da Saúde, desde 2003 a Política de Saúde Mental no Brasil adota um “modelo de atenção integral aos pacientes estruturada nos princípios da reforma psiquiátrica”. A ideia principal é descartar a hospitalização como única possibilidade de tratamento. Nesse sentido, foram criados espaços que funcionam como alternativas pré-internação, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), as equipes de Saúde da Família, os Consultórios de Rua e as Casas de Acolhimento Transitório (CATs), com tratamentos que foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A estimativa é de que até 2014 o Ministério da Saúde financie a criação de 7.780 vagas em unidades de acolhimento, “que abrigarão os dependentes químicos por até seis meses para estabilização clínica e controle da abstinência”, de 216 consultórios de rua para o tratamento de dependentes químicos e de mais 3,6 mil leitos na rede de assistência.

Outra diretriz adotada pelo governo, a implementação de uma política de atenção integral direcionada a usuários de álcool e outras drogas — que prevê a internação de quem sofre com esse tipo de problema — tem, entretanto, acalorado a discussão. Para o presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona, a prática é um retrocesso. “A reforma veio depois de muito trabalho dos profissionais de saúde para convencer as pessoas de que o louco é humano também e que a internação não é a solução para ninguém. Aí, vem uma política oficial e defende o oposto disso”, justifica.

 Segundo Verona, a divulgação que tem sido feita a respeito das internações de usuários de drogas pode induzir a população a acreditar que o confinamento significá o fim dos dependentes químicos. “Fizemos inspeções e vimos que em alguns locais as pessoas sofrem tortura, são presas em celas ou ameaçadas de perder a guarda dos filhos por ter tido recaídas na droga”, enumera.

 Deficiências

 Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, até mesmo a terminologia “reforma psiquiátrica” está equivocada, pois não se baseia em ciência, mas em uma ideologia. “Ninguém reforma uma especialidade médica”, esclarece. Segundo Antônio, o que falta para que a “reforma” funcione é a integração dos profissionais da rede pública de saúde. Acabar com o atendimento hospitalar de doentes mentais, de acordo com o presidente da ABP, fez com que os pacientes fossem remanejados para as ruas e prisões. “O que foi proposto no Brasil resultou em moradores de rua doentes mentais e doentes na cadeia, transformando os presídios em manicômios, mostrando que o modelo é tão falido quanto o hospitalocêntrico”, defende. Antônio acredita que, para que o problema seja realmente resolvido, é necessário criar uma abordagem estruturada em três pilares principais: proteção, promoção e prevenção da saúde mental.

 Embora também defenda a existência de uma rede de atendimento, o médico acrescenta que os CAPs ainda estão longe do que seria o ideal. “Um CAPs atende de 300 a 500 pessoas. Hoje, existem cerca de 1,6 mil CAPs, que não atendem nem sequer 1 milhão de pacientes”, calcula Geraldo. “Seriam necessários 92 mil CAPs para atender os 46 milhões de doentes. Ou seja, não resolvem o problema.” A solução, de acordo com Antônio, seria a criação de centrais de atendimento às doenças mentais em cada posto de saúde do país. “Se esses espaços adiantassem, não haveria tantos viciados em crack e 60 mil doentes mentais na cadeia. Querem transformar em um problema policial o que é um problema médico.”

 Ao longo de seis anos de existência, o CAPs 2 do Paranoá já atendeu cerca de 6 mil pessoas. Atualmente, 350 pacientes com esquizofrenia, psicose, transtorno obsessivo compulsivo, depressão e neuroses graves dividem o espaço. Ricardo Alves, psicólogo e gerente do CAPs, explica que cada paciente tem um plano terapêutico personalizado, de acordo com a sua enfermidade. “É uma reabilitação psicossocial. Além da medicação e consultas com médicos, eles frequentam grupos terapêuticos de ordem de oficinas, produção e psicoterapia”, detalha. “Os pacientes que vêm para cá muitas vezes passaram por longas internações. São pessoas que desaprenderam a viver.”

 Acompanhamento

 Juracyr Pereira Ramos, 60 anos, tem dois filhos que frequentam o CAPs. Os dois sofrem de esquizofrenia. A empregada doméstica conta que precisou largar o emprego para poder acompanhar Júlio César e Advan Pereira Ramos, 32 e 37 anos, respectivamente. “Prefiro vir com eles porque não confio em deixar que eles venham sozinhos”, comenta. Os remédios são administrados por ela, sempre no horário determinado pelos médicos. “Quando comecei a tomar os remédios, minha vida mudou”, diz Júlio César. “Me acho mais saudável. Eu ficava o dia inteiro na rua, fazendo nada.” José Alfredo dos Santos, 43 anos, também recebe tratamento para esquizofrenia no CAPs do Paranoá. Antes de conhecer a unidade, há quatro meses, quando chegou a Brasília, o paulistano já contabilizava mais de 15 anos de terapias, remédios e internações.

 Da época em que ficou internado, por vontade própria, José guardou na memória o descaso. “Aqui, o pessoal é mais experiente. Eles prestam atenção no que a gente fala.” Nas terapias de grupo com os demais pacientes, José teve a chance de expor o que pensa e ouvir as experiências dos colegas — e ganhou autoestima para se renovar. “Sempre pesquisei, queria entender como buscar a cura. Nunca choraminguei pela minha situação.” Engajado, ele conta que participava do Conselho Regional de Psicólogos e de conferências de saúde mental da Universidade Estadual Paulista (Unesp) — além de ter sido candidato a vereador por três vezes em São Paulo. “Não ganhei porque fui honesto demais”, brinca.

segunda 23 janeiro 2012 10:26 , em Política de saúde mental


Nota da ABP sobre o programa de enfrentamento ao crack anunciado pelo Governo Federal

Nota da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre o programa de enfrentamento ao crack anunciado pelo Governo Federal

 Nos solidarizamos com o Governo Federal no combate ao crack, droga responsável pela desestruturação de famílias e pela degradação humana. Entretanto, gostaríamos de fazer algumas considerações sobre o plano lançado no dia 7 de dezembro de 2011.

 Há pouco mais de um ano, o então presidente Lula lançou programa semelhante ao anunciado pela presidente Dilma Rousseff. De lá para cá, pouca coisa mudou. No plano de Lula, a promessa era de que fossem investidos R$ 410 milhões no enfrentamento das drogas. O que saiu do papel chegou a pouco mais da metade desse valor. Se os R$ 4 bilhões anunciados agora forem realmente investidos, se esse recurso ficar livre dos contingenciamentos, já será um bom começo. E é só o começo mesmo porque, para um país do porte do Brasil, um investimento de R$ 4 bilhões pode até parecer enorme, mas é pouco quando se considera o caráter crônico das medidas necessárias, desde a proteção e promoção da saúde, prevenção primária até a atenção ao dependente químico.

 Ao que parece, o agravamento da situação do crack revelou as fragilidades da política de álcool e drogas do Governo Federal e abriu espaço para as necessárias correções em bases científicas mais sólidas. Ainda hoje, os profissionais de saúde que atendem dependentes químicos são insuficientemente treinados. É preciso aprofundar o conteúdo dos cursos oferecidos a esses profissionais, de modo que sejam contempladas as diferentes técnicas de tratamento dos dependentes químicos. Sugerimos também incluir disciplinas de dependência química em todas as graduações de Medicina.

 A possibilidade de garantir tratamento mesmo aos menos motivados e que demandam internação involuntária coloca outro desafio, pois as equipes de avaliação e atendimento têm de ser bastante hábeis para garantir tratamento baseado em evidências médicas adequadas. De nossa parte, apoiamos a aplicação da Lei 10.216 pois acreditamos que o mais importante é a proteção da vida.

 Um grande mérito do atual programa é o propósito de oferecer 2.462 leitos especializados no SUS para pacientes em crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. Caso haja equipes habilitadas para o atendimento, isso representará um avanço significativo na política de atenção ao dependente químico. Da mesma forma, saudamos a ampliação das vagas de residência em Psiquiatria nos hospitais públicos. Ressaltamos que a abertura de consultórios de rua pode não surtir o efeito desejado pois, ainda que fiquem restritos à abordagem na perspectiva de redução de danos, ou seja, de contato inicial para aproximar o dependente químico dos sistema de saúde, já representarão grande desafio pois promoverão demanda por atenção de alta complexidade em leitos especializados. Lembramos ainda que tratamentos desse tipo devem ser realizados em local adequado e que, em sua equipe, é eticamente e tecnicamente indispensável a presença de médicos psiquiatras, prerrogativas não contempladas nos consultórios de rua.

 A ampliação da rede de Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas é bem-vinda, mas implica na necessidade de organização de equipes capazes de dar conta de intercorrências clínicas mais significativas entre usuários de crack. Ou seja, para que a medida não seja inócua, será preciso ter equipes médicas também 24 horas nos CAPs AD.

O fato de a proposta ter passado ao largo de consultas a instituições como a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas nos deixa preocupados com o que, de fato, será levado a cabo.

 Também estamos preocupados com o avanço do crack no país. Por isso, lançamos durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em novembro, a campanha “Craque que é craque não usa crack”. O objetivo é sensibilizar os jovens para os riscos que a droga representa. A iniciativa recebeu o apoio de personalidades do esporte, da classe artística, da classe política e de entidades da sociedade civil, como a Central Única das Favelas.

 Estamos à disposição caso o governo queira conhecer as propostas da ABP e discutir as políticas de atenção ao dependente químico e ao doente mental no país.

Antônio Geraldo da Silva

Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria - Fonte: http://abp.org.br/2011/medicos/archive/4328

segunda 02 janeiro 2012 11:15 , em Dependência Química


Feliz Ano Novo!!!

Blog de antoniogeraldo :Dr Antônio Geraldo, Feliz Ano Novo!!!

"São nos pequenos gestos e atitudes do nosso dia-a-dia que devemos
proporcionar o mínimo de alegria e compreensão a todos que nos cercam. "

Próspero Ano Novo

São sinceros votos do
Equipe IPAGE

sábado 31 dezembro 2011 15:29


Jogador Deco, do Fluminense, participa do projeto “craque que é craque não usa crack”

Blog de antoniogeraldo :Dr Antônio Geraldo, Jogador Deco, do Fluminense, participa do projeto “craque que é craque não usa crack”

Jogador Deco participa do projeto “craque que é craque não usa crack”

O jogador Deco do Fluminense participou do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria e aderiu a campanha “Craque que é craque não usa crak”.
Ao lado do presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, ele  distribuiu autógrafos e ainda vestiu a camiseta da campanha.
O objetivo da campanha é alertar a sociedade sobre os males causados pelo crack e dependência química.

http://www.recupperar.com.br/jogador-deco-participa-do-projeto-%E2%80%9Ccraque-que-e-craque-nao-usa-crack%E2%80%9D/

segunda 21 novembro 2011 10:43 , em Dependência Química


Diretor Adjunto do SindMédico-DF assume a presidência da Associação Brasileira de Psiquiatria

Diretor Adjunto do SindMédico-DF assume a presidência da Associação Brasileira de Psiquiatria

   

 

O psiquiatra Antonio Geraldo da Silva, diretor de Relação com Sócios e Entidades Federadas, foi eleito ontem (26) à noite presidente da Associação Brasileira de Psiquaitria com mais de 60 por cento dos votos. Uma assembleia de delegados da ABP deu a vitória à chapa ABPDemocatica, liderada por Antonio Geraldo, com mais de 60 por cento dos votos. Também foram eleitos os integrantes do Conselho Fiscal e os Secretarios Regionais. Todos da chapa ABPDemocratica. O mandanto vai até 2013. A ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria reúne atualmente 5.500 associados, congrega 54 Federadas, 6 Núcleos em todas as Unidades da Federação e 14 Departamentos.

http://sindmedico.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=984:diretor-adjunto-do-sindmedico-df-assume-a-presidencia-da-associacao-brasileira-de-psiquiatria&catid=43:noticias&Itemid=10

segunda 21 novembro 2011 10:41 , em Currículo


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